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Microlicia capitata, foto de A. V. Scatigna (fonte: Pacifico et al. 2020).

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Waltheria hatschbachii, ilustração de Y. Wilson-Ramsey (fonte: Saunders 2021).

Coleção do Museu Botânico Municipal contribui para a descoberta de novas espécies

Autor: Engenheiro FLorestal Marcelo Leandro Brotto

O botânico curitibano Gerdt Guenther Hatschbach foi tão importante para o estudo das plantas brasileiras no seu tempo quanto é nos dias de hoje, mesmo tendo se passado oito anos desde a sua morte.

Foi em 16 de abril de 2013 que ele nos deixou para ocupar um lugar nos jardins do paraíso, onde provavelmente se encanta com beleza das plantas e as coleciona, assim como fez ao longo de sua carreira como curador do Herbário do Museu Botânico Municipal de Curitiba. Aliás, ele é um dos colecionadores de plantas mais reconhecidos no meio científico, tendo coletado mais de 82.000 amostras que estão hoje guardadas no acervo do Museu Botânico.

São essas amostras os objetos de estudo dos pesquisadores brasileiros e estrangeiros que buscam conhecer as espécies e organizá-las numa classificação sistemática que explica a evolução desse grupo de organismos no planeta. A contribuição do Dr. Gerdt para a ciência botânica transcende a sua vida, pois as amostras coletadas por ele ainda estão sendo investigadas e várias delas foram usadas recentemente para a descrição de espécies novas. Ou seja, para a descoberta de espécies que ainda eram desconhecidas pela ciência.

A descoberta de uma espécie nova se concretiza por meio da publicação da pesquisa levou a tal conclusão em uma revista científica. Resumidamente, esse tipo de artigo científico traz a descrição completa da planta, ilustrações, fotografias, dados sobre a época de floração, frutificação, distribuição geográfica, hábitats, as características que diferenciam ela das espécies semelhantes, além, é claro, do nome científico que é escolhido pelos autores do artigo e que é escrito em latim. Também é obrigatório relacionar as amostras dos herbários que foram analisadas, pois todo nome científico deve estar atrelado a pelo menos uma amostra física. E é exatamente aí que
está a importância das amostras do Gerdt e da coleção do Museu Botânico.

Por exemplo, em fevereiro de 2021 um artigo da revista Darwiniana publicou cinco novas espécies do gênero Waltheria, família Malvaceae, oriundas do Cerrado brasileiro. Dessas cinco, Gerdt coletou amostras de quatro. Inclusive, uma delas o homenageia em seu nome científico: Waltheria hatschbachii. A pesquisadora Janice G.
Saunders do Instituto de Botánica Darwinion da Argentina justificou assim a escolha do nome:

“O nome da espécie homenageia o renomado botânico brasileiro Gerdt Hatschbach †, fundador e ex-diretor do Museu Botânico Municipal de Curitiba, Brasil, cuja obra de vida ajudou a desvendar a incrível diversidade da flora brasileira”

Gerdt
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Gerdt, à esquerda
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Gerdt, à esquerda
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Gerdt
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As outras espécies novas coletadas por Gerdt são: Waltheria coriacea, Waltheria flavovirens e Waltheria matogrossensis. A amostra mais antiga data de 1971 e a mais recente é do ano 2000.

No ano passado outro artigo chamou atenção pela quantidade de espécies novas coletadas por ele. É um artigo publicado na revista Systematic Botany dos Estados Unidos que descreve sete novidades do gênero Microlicia, família Melastomataceae. Surpreendentemente, Gerdt havia coletado amostras de cinco das espécies recém
descritas: Microlicia capitata, Microlicia coriacea, Microlicia mutabilis, Microlicia polychaeta e Microlicia repanda. A amostra mais antiga data de 1971 e a mais recente é de setembro de 2005 quando ele estava com 82 anos de idade, o que demonstra a sua dedicação para a ciência brasileira.

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Autor: Engenheiro Florestal Marcelo Leandro Brotto
Curador da coleção do Museu Botânico Municipal de Curitiba
Curitiba, 19 de abril de 2021.

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